Corpos Que Re-Existem e Insistem
3 curtas de Sebastian Wiedemann, 47min

A pergunta de Spinoza pelo que pode um corpo é de uma relevância inegável diante dos tempos catastróficos e opressores que vivemos. Pode se pretender silenciar, censurar ou até aniquilar os corpos, no entanto eles re-existem e insistem. O corpo não pertence a ninguém, nem ao Estado, nem ao mundo branco. O corpo re-existe e insiste, pois é uma dobra desobediente e desbordante da qual nunca sabemos o que pode e que, portanto não para de nos surpreender.

Los (De)pendientes
Argentina/Colômbia, 24min, P&B, HD, 2016

O fantasma da ditadura nunca se foi, e as imagens de Los (De)pendientes são mais atuais do que nunca. Os corpos, o povo, a multidão sempre encontra o modo de fazer vazar os fluxos, de no transe, como sempre nos lembrou Glauber Rocha, achar sua insurreição. Sampleando filmes argentinos críticos e revolucionários realizados entre 1956 e 2006, os (De)pendientes oferece um ótimo avanço na concepção de filme histórico.

Vidas-Vestem-Ruídos: como fazer de figuraça todo mundo
Brasil/Colômbia, 13min32, Cor, HD, 2016

O corpo não se deixa fechar, não se deixa cristalizar nas identidades e pelo contrario se veste e transveste, pois sua potência esta para além dos binarismos, pois sua força e devir todo mundo (vidas-vestem-ruídos). Carta-ensaio de Flávia Naves & Sebastian Wiedemann. Duas vozes em dois tempos: uma performer envia uma carta pelo correio para um cineasta, que só pode lhe responder entre imagens e sons. A pergunta pelo que pode um corpo, diante de uma cidade esmagadora como o Rio de Janeiro, insiste no meio.

Obatala Film
Nigéria/Colômbia, 10min, P&B, S8mm, 2019
O corpo re-existe e insiste, pois nunca é um envoltório fechado, mas sim canal de passagem e transe entre as mais diversas dimensões espirituais (Obatala Film). Filme-devoção, filme-oferenda. Filmado na mítica Ile-Ife, cidade sagrada do povo Yoruba e fundada pelos próprios Orixás, este filme procura afirmar de modo sensorial a vertigem de entrar em relação com Obatala, orixá criador do mundo, da luz. Transe de faíscas de luz, de corpos em conexão espiritual.

CINE VOLVER – Cartografias do Cinema
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Quinzenalmente no Lab MP, o Cine Volver exibe produções de um cinema artesanal. Para além da visibilidade às pautas e aos movimentos sociais minoritários, o Volver é plataforma para suas representatividades. Um cinema menor, no dizer de Deleuze, feito e protagonizado por mulheres, crianças e adolescentes; gays, lésbicas e transgêneros; povos originários, refugiados e migrantes; negros e quilombolas; povos do campo, das periferias e das bordas. Um cinema eco-centrado e inumano que afirma as vidas animais, vegetais e minerais. Registros e manifestos de uma arte produzida com recursos singulares, que seja ética em sua estética.

Uma roda de conversa quente é aberta entre autores, técnicos, personagens e público. A mediação de Rodrigo Reis, curador do Volver parte de uma questão cartográfica: o que o filme faz com quem faz o filme?

Rodrigo Reis
Esquizoanalista; compositor com pesquisa e produção voltada para a Ecomúsica; pesquisador no Instituto de Artes da Unesp, onde organiza o Núcleo de Estudos sobre Novas Metodologias de Pesquisa em Artes. Desde 2003, agencia o Ecosofia – rede heterogênea, autônoma e colaborativa de estudo, pesquisa e ação, que articula Arte-Klínica-Micropolítica em espaços públicos, culturais e educativos.


• Data: 29/05 – quarta, às 20h

• entrada gratuita

Lab Mundo Pensante
Rua Treze de Maio, 733 – Bela Vista – São Paulo – SP
Tel:. 5082-2657
www.mundopensante.com.br